domingo, 26 de agosto de 2012

É sempre assim


Mentes preversas


Look out the Window... capitulo 12


- A senhorita está-me ouvindo? – Perguntou o médico ao notar-me ausente.
- Acho que terá começar tudo de novo, doctor. – Disse Leandro enquanto segurava a minha mão e a apertava carinhosamente.
- Precisa tomar mais cuida­do de agora em diante. – Advertiu-me o médico lançando um olhar de censura a Leandro. – Além da desidratação, também está anémica, o que é comum no pri­meiro trimestre da gravidez. Porém muito perigoso para a saúde do feto.
- Acontece que…
- Minha querida. – Disse o médico, interrompendo-me. Se pretende ter esse bebé, precisará fazer algumas mudanças na sua vida. A primeira recomendação é repousar durante 24 horas, seguido de um mês de actividades leves. Está a precisar de muito descanso e refeições equilibradas. Vou-lhe prescrever algumas vitaminas e principalmente beba muita água. Depois que o soro terminar, já pode ir para casa. – Concluiu entregando-me a receita e saindo.

I just wanted to be like...as before


Eu cansei de mim mesma. Cansei de viver uma vida entediante. Cansei de perder família pelo caminho. Cansei de ser enxovalhada. Cansei-me do cansar que sempre me cansou.

Por muito que fizesse as coisas, elas acabam vencendo-me. Por muito que lutasse por algo, esse algo fugia-me por entre os meus dedos. Por muito que chorasse e implorasse, as minhas preces nunca foram ouvidas.
Os anos passaram. Fui crescendo. Mas aquela pessoa já não era mais eu. Caí num tumulto sem fim. Abdiquei do pouco que me restava. Parti.
Abracei a dor e o sofrimento com todo o meu amor. Fui desprezada por tal acto. Sentimentos comuns, já não me incomodam. Ao longo do tempo fui deixando vários avisos incompletos e diversas tentativas falhadas.

Um dia. Como tantos outros. Olhei-me ao espelho. Quem sou eu afinal? O que me prende ainda aqui? A este lugar? Nada.

Despedida. Esperam por mim. Noutro universo. O meu sangue proclama suplícios. Se ainda viver em mim, algum resto daquela menina encantadora que outrora fora. Peço-vos. Quem ainda gosta de mim, não chore.
Partir foi o melhor para mim. A minha alma estilhaçada não suportava mais vaguear por aqui. E assim ela desaparece para sempre…

This life it's still...


Estendo-me na cama e ponho-me a pensar. Será que fiz a coisa certa? Estarei sendo injusta? É mesmo o destino que comanda a vida? Ou estarei simplesmente louca? Talvez seja tudo fantasia da minha cabeça, porque mais ninguém vê o que vejo. Num simples gesto contemplo mil e uma interpretações das quais nunca saberei o real intento. Por vezes gostava que tudo acaba-se que nem os contos de fada. Era tão bom. Todas as verdades se esclarecendo e as injustiças cessando. Mas isso não é a realidade dos factos. Todos vão apontar-te o dedo e julgar. Antes mesmo de teres tempo para proferires uma única palavra que seja em tua defesa. É nestas ocasiões que aprendes à força, o que não vem nos livros. No final da tua história não haverá um final feliz nem um príncipe encantado. Vais lutar contra invariáveis crueldades, aprenderas da pior maneira e ensinarás aos vindouros. Irás sofrer, irás chorar. Os momentos felizes serão ínfimos. Então a uma dada altura vais querer desistir muitas das vezes e até mesmo praticar o suicídio. Mas aí páras. Respiras bem fundo e consideras. Surge uma dor, um suspiro, um sinal, um olhar... Talvez sejam mesmo ficções dentro da minha cabeça e eu esteja ficando louca. O tempo passou. A música acabou. Toca o telemóvel: – Estou? Silêncio. – Espera! Não desligues. Eu amo-te. Não faças nenhuma loucura. Estamos todos preocupados contigo. Cai a chamada. Ergo-me da cama e caminho a passos largos até ao pátio. Olho em redor e confirmo. Fiquei realmente louca. A vida é mesmo assim… Lutar toda a vida sem saber como faze-lo e ser o herói de nós mesmos…